Por Gustavo Ribeiro
Quem sobe ou desce a Serra do Mar de trem costuma sair com a sensação de ter vivido um dos passeios mais marcantes do Paraná. Em operação há décadas, a ferrovia atravessa áreas preservadas da Mata Atlântica e entrega aos passageiros uma sequência de paisagens que combinam montanhas, cachoeiras, túneis e pontes — tudo isso em um trilho com mais de 140 anos de história.
O trajeto liga Curitiba a Morretes, uma das cidades mais antigas do estado, em um percurso de cerca de 70 quilômetros. No caminho, o trem vence quase mil metros de diferença de altitude entre a capital e o litoral. A cada temporada, mais gente embarca na experiência: só no último verão, aproximadamente 70 mil turistas fizeram o passeio.
Para este ano, a expectativa é de crescimento. A Serra Verde Express, empresa responsável pela operação, projeta receber cerca de 80 mil passageiros. Para atender essa demanda, o trem está circulando todos os dias desde 1º de dezembro e segue assim até 6 de março. As saídas de Curitiba acontecem às 8h30 e o retorno parte de Morretes às 15h.
Os passeios são oferecidos em três categorias de vagões, com valores que vão de R$ 199 a R$ 495 por trecho. Os ingressos estão à venda no site da Serra Verde Express. Nas categorias mais completas, os vagões têm decoração temática inspirada nos trens antigos e serviço de bordo com comidas e bebidas. É possível fazer ida e volta de trem ou combinar um dos trechos com vans.
Toda essa experiência já rendeu reconhecimento internacional. O passeio pela Serra do Mar paranaense aparece com frequência em listas de melhores viagens de trem do mundo, citadas por veículos como The Guardian e The Wall Street Journal. A Lonely Planet também incluiu o trajeto no livro Amazing Train Journeys.
Não por acaso, o trem se tornou um dos grandes cartões-postais do turismo no Paraná e costuma ser apresentado pelo governo do estado em eventos turísticos ao redor do mundo. Além de promover a ferrovia, a visibilidade ajuda a divulgar os destinos do litoral paranaense.
“O trem é o grande indutor do turismo no litoral”, resume o diretor-geral da Serra Verde Express, Adonai Arruda Filho. Segundo ele, o impacto econômico gerado pela operação ultrapassa R$ 50 milhões por ano em Curitiba e nas cidades litorâneas. “Cerca de 85% dos turistas que embarcam no trem vêm para Curitiba por causa do trem. E isso realmente tem um impacto grande”, complementa.
Durante a alta temporada, a empresa reforça a equipe com mais guias de turismo, profissionais de apoio, segurança e logística. Nesse período, até 28 vagões entram em operação, com capacidade para levar cerca de 1,3 mil passageiros por viagem. “É uma operação complexa e por isso temos uma equipe de apoio treinada para correr tudo bem. Conseguimos embarcar mais de mil pessoas em menos de 20 minutos”, explica o diretor.
Novo vagão aposta em conforto e vista privilegiada

Na quarta-feira (17), a Serra Verde Express apresentou um novo vagão da categoria boutique que passa a integrar a composição do trem. Batizado de “Família Arruda”, o espaço homenageia os fundadores da empresa, Adonai Arruda e Ione Mari da Veiga.
O principal destaque do novo vagão é o teto de vidro, que permite aos passageiros observar a verticalidade da Mata Atlântica e aproveitar melhor a luz natural durante o trajeto. O projeto é resultado de um retrofit inédito, liderado pelas arquitetas Lucille Amaral e Silvane Eclache.
Além do visual, o vagão traz melhorias técnicas, como painéis solares e um sistema de exaustão elétrica para garantir mais conforto térmico, substituindo os antigos modelos eólicos. A iluminação em LED de alta performance foi pensada para manter a luz uniforme ao longo dos 16 metros do salão.
Por dentro, o acabamento inclui estofamento 100% em couro e banheiros com revestimento vinílico e cubas em pedra nobre. Os tons de verde, em referência à Serra Verde Express, e caramelo predominam no projeto.
“Nosso objetivo é criar um ambiente que remeta à sala de estar da casa dos passageiros, mas que tenha a resistência e a durabilidade exigidas pela operação”, explica a arquiteta Lucille Amaral”, explica a arquiteta Lucille Amaral.