Imóvel na planta é seguro e pode ser uma boa opção para economizar

Comprar imóvel na planta é seguro e pode ser uma boa opção para economizar

Comprar imóvel na planta em Curitiba
Alex Silveira
Escrito por Alex Silveira

No momento de planejar a compra da casa própria, um imóvel na planta pode ser uma boa opção em Curitiba. O mercado imobiliário está aquecido na capital paranaense e as incorporadoras têm apostado em locais com ampla área comum, sacadas e churrasqueiras internas para agradar o freguês. Mas é seguro investir capital em algo que, em teoria, ainda nem existe?

Segundo o diretor do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-PR), Ilson José Gonçalves, aquele “medo” que havia, antigamente, já não precisa estar tão presente. Gonçalves explica que as incorporadoras possuem seguro de obra e o mercado aquecido faz com que outras empresas queiram assumir um empreendimento paralisado por algum motivo.

“Eu diria que, hoje, o mercado já está mais sólido. E as vantagens de comprar na planta incluem facilidades na negociação, escolha de unidade, acabamentos e, até, retorno financeiro para quem deseja investir”, explica o diretor, que atua há 33 anos no mercado imobiliário.

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Neste modelo, o comprador ajuda a incorporadora a financiar os custos da construção. Desse modo, é possível financiar um terço do valor total pelo período de construção, que é, em média, de três anos. Para isso, o importante é ter um planejamento financeiro para honrar com as parcelas, de acordo com as etapas do negócio.

No período de construção, os valores em geral são corrigidos pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que é a taxa de valorização dos custos da construção civil, calculada com base em material e serviços de mão de obra. Tal taxa irá incidir sobre todas as parcelas e sobre o saldo devedor mensalmente. Ou seja, há um aumento no valor final.

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O vice-presidente da Lyx Engenharia e especialista em gestão de negócios, Paulo Antonio Kucher, explica que, na compra de um apartamento pronto, paga-se de 20% a 30% no ato da compra. “Na planta, esse valor é dividido pelo tempo de construção”, aponta Kucher. Após a entrega das chaves, inicia a etapa de financiamento imobiliário, que deverá estar em taxas alinhadas com a Selic (taxa básica de juros do Brasil).

Por esse motivo, a parcela mensal a ser paga nunca será igual à primeira e, no momento de entrega das chaves, o valor que falta ser pago pelo imóvel será maior do que o previsto. Depois que o apartamento estiver pronto, o comprador deverá pagar todo o valor restante. Assim, a primeira providência ao se tomar antes de escolher um imóvel na planta é estimar esse aumento da parcela.

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Por outro lado, quando o prédio está em obras, pode-se fazer o parcelamento diretamente com a construtora. “Caso tenha recursos para pagar a vista, também há mais vantagens na negociação, além de não haver a adição de encargos, como nas outras opções”, explica Kucher.

As vantagens e os cuidados

Além de uma projeção de valorização, que pode ser entre 15% a 40%, dependendo do imóvel. “Não é à toa que há investidores para esse tipo de construção, pois são pessoas que sabem que terão retorno ao vender a unidade após a construção”, comenta o especialista.

Outra vantagem em relação a um apartamento já usado são os trâmites burocráticos. Como os apartamentos não passaram por outro proprietário, o processo é mais rápido para desenrolar a escritura. Quem procura imóveis recém-lançados, ou na planta, também sabe que terá um número menor de problemas de reparos, como em apartamentos antigos, ou reformados. 

Mas, assim como há vantagens, não se pode ignorar a cautela para evitar transtornos ou perda financeira. O Secovi-PR alerta para a exigência de alguns documentos que darão mais segurança para o negócio.

“Primeiro, pedindo a incorporação do empreendimento e verificando se as certidões estão em ordem. Se tem o alvará, o projeto passou pela prefeitura, foi averbado no cartório de Registro de Imóveis. É uma segurança jurídica, indicando que está tudo certo com a documentação”, destaca Gonçalves.

Fazer uma busca no Google pelas certidões de tributos da construtora também é importante. Buscar também o que a empresa já executou, visitar esses empreendimentos concluídos e falar com moradores, pedindo referência, se a construtora prestou assistência após a entrega. “Problemas pode acontecer. Na parte elétrica por exemplo, em algum acabamento. Mas cabe à construtora a dar as soluções no prazo”, diz o diretor do Secovi-PR.

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O prazo de entrega das obras também é fundamental para se checar. Atrasos de seis meses, por exemplo, são toleráveis. Fatores externos como chuva e imprevistos podem ocorrer, principalmente em Curitiba, mas é preciso verificar o comprometimento da empresa com seus empreendimentos. “Na pandemia, por exemplo, houve atrasos até maiores do que esse prazo. Mas nem tudo é desculpa. Se a pessoa comprou na planta, ela deve passar pela obra, observar se começou na data prevista, se está andando. Em caso de desconfiança, ela deve procurar a incorporadora. Até pausas em pagamentos podem ser cogitadas”, defende Gonçalves.

Sobre os prazos de entrega, se por acaso ele mudar, é preciso ter atenção para fazer o aditivo contratual. “O cliente tem que saber dos seus direitos. Nesses casos, é preciso negociar propostas com a empresa, como pagamento de aluguel para o imóvel no prazo de atraso, não cobrança de correção monetária, acabamentos diferenciados e melhores para a imóvel. É preciso avaliar os casos”, explica Gonçalves, destacando que, algumas vezes, pode haver rescisão de contrato.

Por último, o comprador de um imóvel na planta deve ficar atento ao perfil de cliente que esses empreendimentos requerem. “Geralmente, são pessoas sem pressa para morar, tolerantes com imprevistos que podem ocorrer e terão que ser negociados e com paciência para encarar atrasos inesperados. No caso dos atrasos, os empreendimentos de Curitiba não vêm tendo muitos problemas”, finaliza o diretor.