Saúde do idoso: doenças mais comuns na terceira idade

Saúde do idoso: doenças mais comuns na terceira idade e como preveni-las

Exames médicos regulares são fundamentais para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças na terceira idade
Exames médicos regulares são fundamentais para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças na terceira idade

Conheça as doenças mais frequentes entre idosos, seus sintomas e formas de prevenção para garantir qualidade de vida

Para envelhecer com qualidade de vida, é preciso cuidado redobrado. Doenças como hipertensão, diabetes, depressão e câncer estão entre as que mais afetam a saúde do idoso. Veja a seguir como identificá-las, tratá-las e preveni-las.

Hipertensão arterial

A hipertensão arterial, também chamada de pressão alta, é uma das doenças crônicas mais comuns na terceira idade. Ela ocorre quando os valores da pressão arterial ultrapassam 140 x 90 mmHg de forma persistente. O problema sobrecarrega o coração e os vasos sanguíneos, aumentando o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e até demência vascular.

Causas e fatores de risco:

  • Envelhecimento natural do organismo, que enrijece as artérias;
  • Fatores genéticos;
  • Alimentação rica em sal e gorduras;
  • Consumo de ultraprocessados;
  • Obesidade e sedentarismo;
  • Tabagismo e excesso de álcool;
  • Estresse crônico.

Sintomas mais comuns:

Na maior parte dos casos, a hipertensão não causa sintomas; por isso a aferição regular da pressão é essencial. Quando presentes, os sinais podem incluir:

  • Dor de cabeça;
  • Tontura;
  • Náuseas;
  • Palpitações e suor excessivo;
  • Falta de ar;
  • Visão embaçada;
  • Dor no peito;
  • Zumbido no ouvido;
  • Cansaço.

Tratamento:

O controle da pressão envolve mudanças de estilo de vida e, muitas vezes, uso de medicamentos anti-hipertensivos sob prescrição médica. Acompanhamento com cardiologista é essencial, assim como exames periódicos para monitorar complicações associadas.

Prevenção:

  • Reduzir o consumo de sal e de alimentos ultraprocessados;
  • Praticar atividades físicas regularmente;
  • Manter peso saudável;
  • Evitar cigarro e álcool;
  • Realizar check-up regular para detecção precoce de alterações.

Diabetes mellitus tipo 2

O diabetes tipo 2 é uma doença crônica que compromete a regulação da glicose no sangue. Ocorre quando o organismo não consegue produzir insulina suficiente ou quando há resistência à sua ação. Se não tratado, pode causar complicações graves nos rins, coração, olhos e sistema nervoso.

Causas e fatores de risco:

  • Envelhecimento natural do organismo;
  • Aumento da gordura corporal e perda de massa muscular;
  • Obesidade e sedentarismo;
  • Alimentação inadequada, rica em carboidratos simples e ultraprocessados;
  • Fatores hereditários;
  • Hipertensão arterial associada.

Sintomas mais comuns:

  • Sede constante;
  • Urinar diversas vezes ao dia;
  • Fome frequente;
  • Perda de peso inexplicada;
  • Fraqueza e fadiga;
  • Feridas que demoram a cicatrizar;
  • Infecções frequentes na pele, rins ou bexiga;
  • Formigamento em mãos e pés (neuropatia diabética);
  • Embaçamento da visão (retinopatia diabética).

Tratamento:

O controle do diabetes tipo 2 depende do estágio da doença. Em fases iniciais, mudanças de hábitos podem normalizar a glicemia, com dieta balanceada e prática de exercícios físicos. Em casos mais avançados, são prescritos medicamentos orais, como a metformina, e, em algumas situações, aplicação de insulina. O acompanhamento regular com endocrinologista e nutricionista é essencial.

Prevenção:

  • Manter peso adequado;
  • Ter uma dieta rica em fibras e com baixo índice glicêmico (cereais integrais, legumes, frutas frescas);
  • Reduzir consumo de álcool e evitar o tabagismo;
  • Praticar atividades físicas regularmente;
  • Realizar exame de glicemia de jejum, conforme orientação médica;
  • Fazer check-up regular para detecção precoce.

Osteoporose

A osteoporose é uma doença caracterizada pela perda de densidade óssea, que deixa os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. É mais comum em mulheres após a menopausa, devido à queda na produção de estrogênio, mas também pode afetar homens.

Causas e fatores de risco:

  • Alterações hormonais, especialmente no período pós-menopausa;
  • Envelhecimento natural do organismo, com perda gradual da massa óssea;
  • Deficiência de cálcio e vitamina D;
  • Sedentarismo;
  • Histórico familiar de osteoporose;
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool.

Sintomas mais comuns:

  • Dor crônica nas costas, quadril ou pescoço;
  • Redução da estatura com o tempo;
  • Deformidade da coluna (encurvamento);
  • Fraturas frequentes, principalmente em vértebras, quadril e punho.

Tratamento:

O tratamento inclui suplementação de cálcio e vitamina D, medicamentos que fortalecem os ossos, fisioterapia e acompanhamento regular com ortopedista. Em alguns casos, pode ser indicada a reposição hormonal.

Prevenção:

  • Garantir ingestão adequada de cálcio (leite, derivados, vegetais verde-escuros) e vitamina D (exposição solar controlada e suplementação quando indicada);
  • Praticar exercícios físicos de fortalecimento e impacto leve, como caminhada e musculação adaptada;
  • Realizar densitometria óssea periódica, de acordo com orientação médica;
  • Evitar cigarro e consumo excessivo de álcool;
  • Adotar medidas para prevenir quedas em casa e no ambiente externo.

Doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares formam um grupo de condições que afetam o coração e os vasos sanguíneos, sendo a principal causa de morte entre os idosos. As mais comuns incluem infarto do miocárdio, AVC e insuficiência cardíaca.

Causas e fatores de risco:

  • Envelhecimento natural do organismo, que enrijece artérias e dificulta a circulação;
  • Aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias);
  • Hipertensão arterial e diabetes descontrolado;
  • Colesterol elevado (dislipidemia);
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • Sedentarismo e obesidade;
  • Estresse crônico.

Sintomas mais comuns:

Dependem da condição, mas incluem:

  • Infarto: dor ou pressão no peito, formigamento no braço esquerdo, falta de ar, suor frio, náusea e desmaio;
  • AVC: fraqueza ou dormência em um lado do corpo, alterações na fala e na visão, tontura, dor de cabeça súbita e intensa;
  • Insuficiência cardíaca: falta de ar, tosse crônica, inchaço nas pernas, fadiga e palpitações.

Tratamento:

  • Infarto: atendimento médico imediato, uso de medicamentos anticoagulantes, angioplastia ou cirurgia de revascularização;
  • AVC: depende se é isquêmico (bloqueio) ou hemorrágico (rompimento de vaso), podendo incluir medicamentos, trombólise e reabilitação com fisioterapia e fonoaudiologia;
  • Insuficiência cardíaca: controle com medicamentos (diuréticos, betabloqueadores), acompanhamento médico e, em casos graves, cirurgias.

Prevenção:

  • Manter alimentação saudável, rica em frutas, legumes e grãos integrais;
  • Controlar pressão arterial, glicemia e colesterol;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Evitar cigarro e consumo excessivo de álcool;
  • Realizar check-up regular com cardiologista, principalmente após os 60 anos;
  • Adotar rotinas que reduzam o estresse e melhorem a qualidade do sono.

Doença de Alzheimer

O Alzheimer é um tipo de demência neurodegenerativa que provoca a deterioração progressiva e irreversível das funções cognitivas, afetando memória, linguagem, raciocínio e comportamento. É mais comum após os 65 anos e exige acompanhamento contínuo, já que interfere na autonomia do idoso e impacta também a rotina da família.

A causa exata ainda não é conhecida, mas estudos apontam a combinação de fatores genéticos, envelhecimento, histórico familiar e questões ambientais. Doenças crônicas como hipertensão, diabetes e colesterol alto também aumentam o risco.

Causas e fatores de risco:

  • Fatores genéticos e histórico familiar;
  • Envelhecimento natural do cérebro;
  • Isolamento social;
  • Doenças crônicas associadas, como hipertensão, diabetes e colesterol alto;
  • Estilo de vida pouco saudável (tabagismo, excesso de álcool, sedentarismo e dieta inadequada).

Sintomas mais comuns:

  • Esquecimento de fatos recentes;
  • Dificuldade para conversar ou resolver problemas simples;
  • Perda de concentração e atenção;
  • Desorientação no tempo e espaço;
  • Alterações de humor, irritabilidade e agressividade;
  • Perda progressiva da capacidade de realizar atividades cotidianas;
  • Comprometimento da linguagem e, em fases avançadas, das funções motoras.

Tratamento:

Ainda não existe cura para o Alzheimer. O tratamento busca retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. Envolve uso de medicamentos específicos, terapias cognitivas, acompanhamento multiprofissional (geriatra, neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo) e apoio familiar constante.

Prevenção:

Embora não seja possível evitar todos os casos, algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

  • Manter a mente ativa (leitura, jogos de memória, palavras cruzadas, aprendizado constante);
  • Estimular a vida social e evitar isolamento;
  • Controlar doenças crônicas como diabetes, hipertensão e colesterol alto;
  • Manter alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos;
  • Garantir boas noites de sono;
  • Evitar tabagismo, excesso de álcool e estresse crônico.

Depressão

A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente, desânimo e perda de interesse em atividades. Muitas vezes negligenciada ou confundida com sintomas físicos, ela afeta o humor, a disposição e a qualidade de vida, podendo comprometer até a imunidade do idoso.

Causas e fatores de risco:

  • Perdas afetivas, como a morte de entes queridos;
  • Isolamento social e solidão;
  • Doenças crônicas ou limitações físicas;
  • Alterações biológicas e hormonais ligadas ao envelhecimento;
  • Histórico pessoal ou familiar de transtornos mentais.

Sintomas mais comuns:

Os sinais nem sempre aparecem como tristeza explícita. Entre os mais frequentes estão:

  • Falta de prazer em atividades cotidianas;
  • Alterações no sono (insônia ou excesso de sono);
  • Mudanças no apetite e perda de peso;
  • Queixas de dores físicas sem causa aparente;
  • Desânimo persistente;
  • Problemas de memória e concentração;
  • Isolamento social;
  • Descuido com a higiene pessoal.

Tratamento:

O tratamento é multifatorial e deve ser acompanhado por profissionais de saúde. Inclui psicoterapia, uso de antidepressivos sob orientação psiquiátrica e acompanhamento multiprofissional (geriatra, psicólogo, terapeuta ocupacional). O apoio da família e de amigos é parte fundamental do processo.

Prevenção:

  • Manter vínculos sociais e participar de atividades em grupo;
  • Praticar exercícios físicos, que ajudam na liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar;
  • Estimular hobbies e atividades prazerosas (viagens, leitura, música, jardinagem);
  • Adotar alimentação equilibrada e rotina de sono adequada;
  • Compartilhar sentimentos e buscar apoio psicológico em momentos de dificuldade;
  • Valorizar momentos lúdicos e de lazer, que contribuem para a saúde mental.

Catarata

A catarata é uma doença oftalmológica caracterizada pela opacidade do cristalino, a lente natural do olho, que vai perdendo transparência com o envelhecimento. Essa condição compromete a visão de forma progressiva e pode levar à cegueira se não tratada. 

Causas e fatores de risco:

  • Envelhecimento natural do olho;
  • Histórico familiar e fatores genéticos;
  • Diabetes mal controlada;
  • Traumas ou cirurgias oculares anteriores;
  • Uso prolongado de corticoides;
  • Estilo de vida pouco saudável, como tabagismo, excesso de álcool e dieta pobre em nutrientes;
  • Falta de proteção ocular contra a radiação solar.

Sintomas mais comuns:

  • Visão embaçada ou borrada;
  • Dificuldade de enxergar em ambientes pouco iluminados;
  • Presença de halos em torno de luzes;
  • Visão dupla;
  • Maior opacidade pupilar;
  • Perda parcial ou total da visão em estágios avançados.

Tratamento:

Não existe tratamento medicamentoso para a catarata. Em fases iniciais, pode haver apenas acompanhamento oftalmológico. Porém, quando a visão está significativamente comprometida, a única solução eficaz é a cirurgia, que substitui o cristalino opaco por uma lente artificial. O procedimento é rápido e seguro, sendo considerado um dos mais realizados no mundo.

Prevenção:

  • Realizar consultas regulares com oftalmologista;
  • Usar óculos de sol com proteção contra raios UV;
  • Controlar doenças associadas, como diabetes e hipertensão;
  • Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • Consumir alimentos protetores da visão, como cenoura, frutas cítricas, ovos e folhas verdes escuras.

Artrite e artrose

A artrite e a artrose são doenças comuns que afetam as articulações e podem comprometer significativamente a qualidade de vida dos idosos. A artrite é uma inflamação articular, que causa dor, inchaço e dificuldade de movimento. Já a artrose (ou osteoartrose) é a degeneração progressiva da cartilagem que reveste as articulações, levando a desgaste e rigidez.

Causas e fatores de risco:

Envelhecimento natural das articulações;

Alterações hormonais (especialmente em mulheres após a menopausa);

Histórico familiar;

Excesso de peso, que sobrecarrega as articulações;

Traumas ou lesões prévias;

Sedentarismo.

Sintomas mais comuns:

Dor nas articulações (pior no fim do dia ou ao realizar esforço);

Rigidez, principalmente ao acordar ou após longos períodos de inatividade;

Inchaço e vermelhidão;

Estalos e rangidos ao movimentar;

Limitação de movimentos;

Fadiga e cansaço excessivo em alguns casos.

Tratamento:

O tratamento é direcionado para aliviar a dor, reduzir a inflamação e preservar a mobilidade. Inclui uso de medicamentos anti-inflamatórios, fisioterapia, exercícios de fortalecimento muscular e, em casos mais graves, cirurgia para substituição da articulação. O acompanhamento com reumatologista é essencial.

Prevenção:

  • Manter peso corporal saudável;
  • Praticar exercícios de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica e alongamentos;
  • Evitar o sedentarismo;
  • Adotar rotina de fortalecimento muscular;
  • Realizar fisioterapia preventiva quando indicada.

Câncer

O câncer é uma doença caracterizada pelo crescimento descontrolado de células anormais, que podem se espalhar para diferentes partes do corpo. Embora possa surgir em qualquer idade, o risco aumenta significativamente na terceira idade devido ao envelhecimento das células e ao acúmulo de fatores de risco ao longo da vida.

Os tipos mais comuns nessa fase são os de próstata, mama, cólon e pulmão.

Causas e fatores de risco:

  • Envelhecimento celular;
  • Histórico familiar de câncer;
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • Alimentação rica em gorduras e ultraprocessados;
  • Sedentarismo e obesidade;
  • Exposição a substâncias químicas e poluentes ambientais.

Sintomas mais comuns:

Os sinais variam conforme o tipo de câncer, mas alguns sintomas de alerta incluem:

  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Dores persistentes;
  • Alterações na pele ou aparecimento de nódulos;
  • Feridas que não cicatrizam;
  • Sangramentos incomuns;
  • Fadiga constante.

Tratamento:

Depende do tipo e estágio da doença. Pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo. O tratamento costuma ser multiprofissional, com acompanhamento de oncologista, nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo.

Prevenção:

  • Realizar exames preventivos regularmente (mamografia, colonoscopia, PSA, papanicolau);
  • Abandonar o cigarro e reduzir consumo de álcool;
  • Manter dieta rica em frutas, legumes, verduras e antioxidantes;
  • Praticar exercícios físicos com regularidade;
  • Manter o peso saudável e evitar exposição a agentes cancerígenos.

Doenças respiratórias crônicas

Na terceira idade, as doenças respiratórias se tornam mais frequentes devido à redução natural da capacidade pulmonar e à menor eficiência do sistema imunológico. Entre as condições mais comuns estão a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui bronquite crônica e enfisema pulmonar, e a asma persistente. Essas doenças comprometem a respiração e podem gerar complicações graves quando não tratadas.

Causas e fatores de risco:

  • Tabagismo ao longo da vida (principal fator para DPOC);
  • Exposição prolongada a poluentes, poeira e produtos químicos;
  • Infecções respiratórias recorrentes;
  • Envelhecimento natural do sistema respiratório;
  • Histórico de asma desde a juventude.

Sintomas mais comuns:

  • Tosse crônica e persistente;
  • Falta de ar mesmo em repouso ou em pequenos esforços;
  • Chiado no peito;
  • Produção de secreção excessiva;
  • Cansaço constante;
  • Em casos graves, coloração arroxeada de lábios e extremidades (baixa oxigenação).

Tratamento:

O tratamento busca controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida, incluindo uso de broncodilatadores e corticosteroides inalatórios, fisioterapia respiratória, oxigenoterapia em casos avançados e acompanhamento com pneumologista. Internações podem ser necessárias em crises mais graves.

Prevenção:

  • Não fumar e evitar ambientes com fumaça ou poluição intensa;
  • Manter em dia as vacinas para idosos, especialmente contra gripe (Influenza), pneumonia e covid-19;
  • Garantir boa ventilação dos ambientes, principalmente no inverno;
  • Praticar exercícios respiratórios e físicos adaptados;
  • Tratar rapidamente infecções respiratórias para evitar complicações.

Envelhecer com saúde: prevenção é a chave

As doenças comuns na terceira idade não precisam significar perda de qualidade de vida. Com check-up regular, atenção à saúde óssea, cuidado com a saúde mental e atualização vacinal, é possível envelhecer com mais bem-estar e autonomia.