Mais que tradição, feiras de Curitiba agitam a economia e o turismo

Mais que tradição, feiras de Curitiba são motores da economia e do turismo

Feiras de Curitiba têm atraído cada vez mais o público jovem. Foto: Antônio More / Arquivo Gazeta do Povo
Feiras de Curitiba têm atraído cada vez mais o público jovem. Foto: Antônio More / Arquivo Gazeta do Povo

O que começou com pequenas carroças de imigrantes poloneses e italianos na Praça Tiradentes transformou-se em uma das redes de feiras mais robustas do Brasil. Hoje, as feiras de Curitiba — sejam livres, orgânicas, gastronômicas ou de artesanato — são muito mais do que pontos de venda: elas sustentam famílias, impulsionam o turismo e garantem comida de qualidade na mesa do curitibano.

A história de Gabriele de Araújo Aschembrener, de 52 anos, ilustra essa evolução. Feirante há 35 anos, ela representa a terceira geração da família no ramo. “Meus avós vinham das roças para o centro vender o que produziam. Depois, meus pais montaram uma banca de pastel”, conta. Hoje, o negócio se profissionalizou: a família gerencia oito funcionários e marca presença em 12 pontos da cidade com milho, hambúrguer e o tradicional pastel.

Um mapa diverso e rentável

A estrutura atual da capital é vasta. Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), a cidade recebe 77 feiras livres semanalmente. Elas são fundamentais para a segurança alimentar — o acesso garantido e constante a alimentos saudáveis. Somam-se a elas 13 feiras orgânicas e cerca de 20 feiras de artesanato nos bairros.

As feiras gastronômicas e noturnas também ganharam força na última década. “Essas feiras cresceram muito e viraram referência. Deixamos as feiras diurnas para focar na culinária e foi uma escolha acertada”, avalia Gabriele, cujos filhos já representam a quarta geração no ofício.

O impacto no turismo e no espaço público

Eventos sazonais e pontos turísticos consagrados elevam o patamar econômico do setor:

  • Feira do Largo da Ordem: Considerada patrimônio imaterial, atrai até 25 mil visitantes em um único domingo.
  • Feiras das Praças Osório e Santos Andrade: Realizadas quatro vezes ao ano (Páscoa, Inverno, Primavera e Natal), movimentam não apenas as bancas, mas também hotéis e restaurantes do entorno.
  • Novos polos: Eventos como o “Prudente Cultura” e feiras em parques (Barigui, Bacacheri) e regionais mostram que o modelo de feira tem se modernizado para atrair o público jovem e turistas.

Além do lucro, as feiras cumprem um papel social: a ocupação dos espaços públicos traz mais segurança e vitalidade para as praças e ruas de Curitiba. Para quem vive delas, como Gabriele, o sentimento é de realização. “Foi pela feira que criamos nossos filhos. É o sustento e a nossa história”, finaliza.

Painel das feiras de Curitiba

  • Feiras livres: 77 unidades semanais.
  • Feiras orgânicas: 13 pontos de venda.
  • Artesanato nos bairros: 20 edições semanais.
  • Turismo: Feira do Largo da Ordem recebe até 25 mil pessoas por dia.