Curitiba amplia rede de acolhimento para migrantes

Curitiba oferece ampla rede de acolhimento para migrantes

Família venezuelana em Curitiba: rede de contatos entre compatriotas influencia a escolha pela capital paranaense. Foto: Atila Alberti / Tribuna do Paraná
Família venezuelana em Curitiba: rede de contatos entre compatriotas influencia a escolha pela capital paranaense. Foto: Atila Alberti / Tribuna do Paraná

Dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) indicam que Curitiba possui atualmente cerca de 52 mil migrantes cadastrados no sistema de atenção primária. O fluxo migratório, composto por populações vindas principalmente da Venezuela, Cuba, Haiti e Afeganistão, reflete-se também na rede de ensino, que contabiliza cinco mil matrículas de estudantes estrangeiros, segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME).

Para absorver essa demanda, a administração municipal, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), tem implementado estratégias de integração que incluem mutirões de emprego com mediação cultural e adesão à Rede Nacional de Cidades Acolhedoras. Em 2026, o sistema formal de trabalho registrou a admissão de 6.178 migrantes estrangeiros na capital.

O papel do Terceiro Setor

As instituições não governamentais atuam como suporte complementar à rede pública, focando na qualificação e na regularização documental. A ONG ABC Vida, que acompanha o fluxo migratório desde 2015, atende mensalmente cerca de 30 famílias.

Jaqueline Morking Komono, assistente social da instituição, explica que o processo inicial consiste em identificar demandas emergenciais para elaborar planos individuais de atendimento. “O suporte abrange desde o auxílio em trâmites junto à Polícia Federal até o encaminhamento para programas de aprendizagem e qualificação profissional”, afirma.

Inserção no mercado de trabalho

A busca por estabilidade econômica é o principal motor do deslocamento. Guillermo Díaz, venezuelano de 26 anos, reside em Curitiba há um ano e trabalha como auxiliar de serviços gerais. Díaz relata que a rede de contatos entre compatriotas influencia a escolha pela capital paranaense. “Encontrar moradia e trabalho foi um processo regular”, diz Díaz, que recentemente viabilizou a vinda da mãe ao Brasil.

No setor de serviços, a mão de obra estrangeira tem encontrado espaço em áreas técnicas. Javier Rodríguez Medina, cubano de 22 anos, conseguiu emprego como barbeiro dez meses após sua chegada. “A dificuldade inicial foi o idioma, mas foquei em buscar trabalho na minha área de formação”, relata Medina. Ele destaca o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) como um diferencial no acolhimento de sua família.

Duller San, proprietário da barbearia Business Club e também migrante (vindo do Espírito Santo), mantém uma equipe majoritariamente composta por profissionais de outros estados e países. Dos nove barbeiros da equipe, dois são estrangeiros e cinco são migrantes internos. “O mercado está absorvendo esses profissionais não apenas pela técnica refinada, mas pela disciplina e comprometimento com o recomeço profissional”, avalia o empresário.