Cozinha Solidária em Curitiba tem cardápio inovador todos os dias

Cozinha Solidária em Curitiba tem cardápio inovador todos os dias

Cozinha Comunitária do Parolin é comandada por Isete do Rocio Portes, que começou o projeto para auxiliar as pessoas da região. Foto: Atila Alberti

Cozinha Comunitária serve refeições gratuitas para catadores de papel, pessoas em situação de rua e moradores da comunidade

Por Danielle Blaskievicz, especial para a Tribuna do Paraná

Há quase um ano os moradores da comunidade do Parolin, em Curitiba, passaram a contar com um restaurante bem diferenciado. Ele não aparece no Guia Michelin ou em qualquer outro ranking de endereços gastronômicos prestigiados. Nem mesmo no Google Maps está sinalizado, mas a comunidade da região sabe muito bem como chegar.

Minha cidade é o meu mundo

Sabe também que o toque especial do tempero está no carinho com que a cozinheira chefe coordena o preparo e que o cardápio é uma experiência única. Trata-se da Cozinha Comunitária do Parolin, inaugurada há cerca de um ano e que oferece cerca de 70 refeições gratuitas para quem estiver com fome e passar por ali.

O projeto é comandado por Isete do Rocio Portes, 53 anos, moradora no Parolin há 35 anos. O “público-alvo”, explica Isete, são catadores de papel, pessoas em situação de rua e moradores da própria comunidade “que chegam com fome ou querem levar comida para os familiares”. O cardápio é bem variado, depende do que tem disponível.

Arroz e feijão, macarrão, polenta, legumes e quando tem alguma “mistura” – carne, frango, ovos, salsicha ou algum outro tipo de proteína – ela incrementa com molho para “encorpar” o cardápio. Isete comanda a cozinha com a ajuda de outras duas voluntárias: Alechandra Tavares e Maria Tereza Fragoso Carvalho.

A distribuição das refeições acontece de segunda a sexta-feira, entre 12h e 13h20, mas a preparação começa bem antes. Às 9h as voluntárias já estão prontas para preparar o almoço, quase sempre feito com alimentos que foram doados por pessoas que já conhecem o projeto. “Quando a gente ganha alguma mistura, eu procuro fazer um molho para servir com macarrão ou com polenta. A gente faz o que tem”, conta.

EQUILÍBRIO NUTRICIONAL

Foto: Atila Alberti

Mesmo com poucos recursos, Isete tenta manter o equilíbrio nutricional na alimentação oferecida à comunidade do Parolin. Segundo ela, sempre que possível, incrementa o arroz com legumes e, se tiver linguiça ou outros cortes suínos, usa para temperar o feijão. “Eu tento colocar mais vitamina na comida e não oferecer muita gordura, mas refeições nutritivas para o pessoal”, afirma.

O volume de alimentos que a Cozinha Comunitária precisa é elevado. Para dar conta de atender a todos os frequentadores, Isete precisa todos os dias de 10 kg de arroz, 4 kg de feijão, 12 kg de macarrão, 4 kg de fubá, além de 20 kg de legumes, principalmente batatas e as proteínas. Entre as proteínas, são necessários de 6 a 10 kg pelo menos.

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Em alguns dias da semana, logo após servir o almoço, ela se dedica a preparar pães caseiros. Alguns são vendidos para arrecadar recursos para comprar mais alimentos e outros muitas vezes são servidos para a comunidade. “Se eu tivesse uma batedeira industrial, seria possível fazer pães todos os dias para vender”, comenta. Hoje tudo é feito manualmente e, por isso, a produção de pães acaba se limitando a um ou dois dias na semana.

HISTÓRICO

Isete teve a ideia de fazer a cozinha comunitária depois de um incêndio que atingiu centenas de casas da comunidade. Bastante conhecida na região, a cozinheira já tinha o hábito de promover pequenos eventos para as crianças do bairro, principalmente em datas festivas. Com o episódio, ela mobilizou um grupo de pessoas e começou a servir comida para as pessoas estavam tentando recuperar seus pertences depois do incêndio.

“Minha casa acabou virando ponto de referência para receber as doações”, relembra. Segundo ela, chegaram alimentos, roupas, móveis, artigos de higiene e itens de primeira necessidade, além de produtos para bebês, como leite e fraldas. Tudo ia sendo distribuídos conforme a necessidade dos moradores afetados.

Ela conta que foi aí que surgiu a ideia de usar uma parte do terreno onde mora para construir a cozinha industrial. Para construir o espaço, Isete contou com o apoio de um empresário de Curitiba que conheceu a iniciativa e mobilizou um grupo de amigos para apoiar financeiramente a construção da cozinha. Já os alimentos oferecidos à comunidade são doações de apoiadores que já conhecem o trabalho desenvolvido por Isete no Parolin.