Eu e meu colega, o robô: a revolução da inteligência artificial

Eu e meu colega, o robô: a revolução da inteligência artificial

As novas tecnologias vêm transformando o ambiente corporativo, eliminando postos de trabalho e criando novas funções

Por Danielle Blaskievicz, especial para a Tribuna PR

IA, abreviação para inteligência artificial. Duas letras que já entraram no vocabulário cotidiano das pessoas, mas que vêm causando alvoroço. A grande dúvida é: os robôs vão substituir os humanos? De acordo com o Fórum Econômico Mundial, até 2025 a IA vai eliminar cerca de 85 milhões de vagas de trabalho. Por outro lado, outras 97 milhões serão criadas.

+ Leia mais: Mercado de trabalho 4.0: como se parar para encarar os desafios

Ou seja, na prática será a transformação do emprego com a incorporação das novas tecnologias, algo que já vem acontecendo há algumas décadas. O empresário Josney Lara, diretor comercial da InfoWorker Tecnologia, explica que essa preocupação com a substituição do ser humano por máquinas já aconteceu em outros momentos e cita o exemplo da automatização bancária, em meados da década de 1980, com a implantação dos caixas eletrônicos para autoatendimento e consulta de saldos por telefone.

O especialista relata que, ao contrário do que muitos imaginavam, ao invés de acabar com empregos, já naquela época a tecnologia foi utilizada para automatizar tarefas repetitivas e rotineiras. “Isso permitiu que os bancos liberassem os funcionários para se concentrarem em atividades mais estratégicas e criativas. É uma forma de aumentar a produtividade e reduzir erros humanos”, pontua.

+ GUIA DE CURSOS: Não perca o mais completo guia no especial Carreira em Foco

A opinião é compartilhada pela designer e analista de Tecnologias Educacionais do Senac/PR, Nathália Giovana Ravaglio. “Falar em substituição é algo intenso demais para o futuro. Acredito que haverá um processo gradativo, onde algumas profissões poderão compartilhar espaços e atividades com robôs”, analisa. Ela ressalta que isso já ocorre em várias organizações, a partir de sistemas de chatbot, assistentes virtuais, sistemas de busca com curadoria especializada ou as URAs – Unidade de Resposta Audível – nos atendimentos telefônicos.

Segundo ela, são ferramentas que são implementadas para que as respostas repetitivas sejam atendidas sem a necessidade de envolvimento do profissional (humano).

+ Leia mais: Número de oportunidades na área de tecnologia supera o de profissionais

Atendimentos mais simples podem ser respondidos pelo robô, porém questionamentos mais complexos necessitam de um profissional auxiliando o cliente. Nathália orienta que os profissionais que não querem perder espaço e relevância no mercado de trabalho, precisam se manter atualizados e atentos às novidades tecnológicas de suas respectivas áreas.

O advogado Beno Brandão afirma que algumas áreas do Direito serão mais impactadas do que outras pelos avanços tecnológicos. | Divulgação

“Profissões clássicas, como médico e advogado, tiveram suas vidas profissionais melhoradas e atualizadas com a tecnologia. Outras, que trabalham com a inovação, criação e construção de máquinas, podem ser melhoradas com os robôs e a inteligência artificial”, avalia, ressaltando que ainda serão criadas outras profissões para as demandas emergentes, como algumas que surgiram na última década, caso de motoristas de aplicativos, pilotos de drones, gamers, youtubers, entre outros.

+ Viu essa? A era das carreiras tecnológicas

Para o advogado criminalista Beno Brandão, do Beno Brandão Advogados, a inteligência artificial terá sim impacto em todas as profissões, entre elas a advocacia. Segundo ele, o aumento exponencial de processos se torna um terreno fértil para o uso de ferramentas que diminuam o esforço humano.

+ Veja também: Os diversos caminhos que levam à profissionalização

Por outro lado, ele pondera que, ao mesmo tempo, esses recursos colocam em risco a criatividade e a arte necessária à profissão. Na opinião dele, áreas do direito em que seja comum seguir um padrão de raciocínio sentirão mais o impacto da inteligência artificial. “Antes de falar sobre inteligência artificial, temos que pensar em tecnologia, ou, mais propriamente, das descobertas de novas tecnologias. Uma vez desencadeada, há uma trajetória irresistível, transformadora, impossível de ser detida. A humanidade está fadada a avançar tecnologicamente”, sinaliza.

+ Veja mais no especial Carreira em Foco!