Empregadores estão de olho no que você publica nas redes sociais

Empregadores estão de olho no que você publica nas redes sociais

Postagens inadequadas ou posicionamentos que entrem em conflito com a empresa podem colocar o emprego em risco

Por Danielle Blaskievicz, especial para Tribuna do Paraná

Dois dias depois de fazer uma postagem inadequada nas redes sociais durante a final da Copa do Brasil em São Paulo, em setembro, a então assessora ministerial Marcelle Decothé teve sua exoneração – demissão de um cargo público – publicada no Diário Oficial da União (DOU). Nos últimos dias, o episódio se repetiu com na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com o desligamento de Hélio Doyle da presidência da estatal após uma postagem agressiva contra os apoiadores de Israel na guerra.

Carreira e imagem pessoal: o que uma coisa tem a ver com a outra?

No caso de Marcelle, o impasse ocorreu depois que ela agrediu a torcida do São Paulo, em uma partida com seu time, o Flamengo. Nessa hora, nem mesmo a qualificação técnica e o conhecimento prático nas causas sociais foram suficientes para mantê-la na função.

Com mestrado e doutorado e ampla atuação na área de Direitos Humanos, Marcelle “esqueceu” que, como servidora pública, deveria redobrar a atenção na hora de expor qualquer tipo de opinião. Exaltada, postou foto com um texto, xingando os adversários. O “detalhe” agravante é que Marcelle estava no Estádio do Morumbi justamente para acompanhar a ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, na assinatura de um protocolo do Governo Federal contra o racismo no esporte.

CONSTRANGIMENTO

Posicionamentos polêmicos nas redes sociais podem comprometer a imagem da empresa. | Foto: Pixabay

Mais do que depressa, o Ministério se pronunciou, afirmando que manifestações da então assessora estavam em “desacordo” com objetivos da pasta, o que resultou em sua exoneração imediata. No caso de Hélio Doyle, o ministro da Secretaria de Comunicação Paulo Pimenta afirmou que o caso “causou constrangimento ao Governo”, que busca manter uma posição imparcial diante do conflito.

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“O empregador leva muito em consideração se o profissional representa a imagem da empresa, se mantém realmente mantém uma postura adequada e que não possa estar envolvido em polêmicas ou questões inadequadas que possam prejudicar tanto a imagem da empresa quanto a imagem sua como profissional”, explica Leandra Corteletti, psicóloga organizacional e fundadora da LE WAR PRO – Talent Way, empresa que atua na atração de talentos e desenvolvimento de lideranças e equipes.

PROTOCOLO

De acordo com Leandra, cerca de 70% dos contratantes costumam avaliar as redes sociais dos candidatos durante os processos seletivos. E isso não se limita ao LinkedIn, que tem foco nas conexões profissionais, mas inclusive em redes sociais pessoais, como o Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e Tik Tok. “É comum as empresas também fazerem pesquisas na internet, de forma geral. As informações servem para apoiar na escolha do melhor candidato”, explica a especialista, comentando que posicionamentos ofensivos, preconceituosos, informações que possam prejudicar a imagem da empresa têm o potencial de eliminar candidatos com currículos invejáveis.

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Esse é o protocolo comum na hora de selecionar advogados para o escritório Leal & Varasquim Advogados. Com sedes em Curitiba e Itajaí, o escritório atende grandes empresas e empresários em todo o Brasil e uma das prerrogativas para fazer parte da equipe é o profissional saber manter a postura compatível com a função mesmo quando não está trabalhando. “Na era das redes sociais, o que é pessoal e o que é profissional, o que é público e o que é privado, acaba se confundindo demais. Por isso é fundamental ter cuidado na hora de emitir opiniões e fazer posicionamentos sem necessidade. Ninguém erra por cautela”, pontua o advogado Murilo Varasquim, sócio e fundador do escritório.

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Varasquim explica que o objetivo não é fiscalizar a vida da equipe, mas evitar que o excesso de exposição ou posicionamentos inadequados possam causar algum tipo de contratempo no cotidiano corporativo. “Temos uma ampla carteira de clientes, dos mais variados perfis, e precisamos atendê-los visando à solução de seus problemas. Por isso, é fundamental que eles vejam nos nossos advogados pessoas imparciais e qualificadas”, pontua.

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O professor Ederson Cichaczewski, da Faculdade Senac Curitiba-Portão, ressalta que é essencial esse tipo de cuidado para quem está em busca de emprego, uma vez que as redes sociais se tornaram fontes de informações importantes para os recrutadores. Além disso, ele orienta usar essas ferramentas para divulgar evidências do que consta no currículo profissional. “É possível participar de grupos da área no Facebook ou em outros fóruns na internet, contribuir nos tópicos em discussão”, exemplifica.

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Outra dica de Cichaczewski é a criação de perfis profissionais em outras redes para ganhar relevância na área. Segundo ele, uma das formas de ampliar o alcance do currículo é a criação de um canal no YouTube onde o profissional possa compartilhar conhecimento e habilidades. “Atualmente, a plataforma Discord tem crescido muito em determinados nichos, onde se trocam muitas ideias sobre oportunidades de trabalho, assim é possível contribuir com o conhecimento em bate-papos”, comenta.