Carreira e imagem pessoal: o que uma coisa tem a ver com a outra?

Carreira e imagem pessoal: o que uma coisa tem a ver com a outra?

O estilo adotado no ambiente corporativo precisa estar em sincronia com a função exercida

Por Danielle Blaskievicz, especial para Tribuna do Paraná

O ambiente corporativo está mais dinâmico e democrático nos últimos anos, o que permite aos profissionais adotarem estilos próprios na hora de compor o look de trabalho. Porém, isso não significa que seja adequado adotar o jeans e a camiseta como “uniforme” em um escritório de advocacia, por exemplo. Apesar da flexibilização das regras, elas ainda existem e, inclusive, podem impactar nos salários, dependendo do perfil da organização.

Um estudo da Escola de Administração da Universidade Yale (EUA) mostrou que roupas adequadas contribuem para melhorar o desempenho profissional em tarefas competitivas. A pesquisa envolveu 128 homens, de diferentes faixas de renda e níveis de experiência, que foram divididos em três grupos.

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Cada grupo recebeu um perfil de roupa: formal (ternos e sapatos); esportivas (calças de moletom, camisetas brancas e sandálias) e peças aleatórias, que já faziam parte do vestuário dos integrantes. A equipe com roupas formais se destacou, pois se mostrou menos disposta a ceder nas negociações.

De acordo com a professora Samara Peron Nunes, instrutora da área de Moda do Senac/PR, existe uma conexão entre a imagem pessoal, comunicação e conhecimento profissional. Ela explica que a maneira como alguém se apresenta e se comunica pode ter um impacto substancial na percepção profissional e na habilidade de transmitir conhecimento e competência em sua área de atuação. “A aparência e a apresentação pessoal desempenham um papel crucial nas oportunidades de carreira”, enfatiza.

Samara salienta que ser visto como alguém que valoriza os detalhes e representa bem a organização pode aumentar as chances de o profissional ser selecionado para projetos importantes, avanços na carreira e até assumir a liderança de equipes. Ou seja, agrega valor ao conhecimento técnico, que também é indispensável.

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A consultora de imagem Cibelle Taques afirma que há uma relação direta entre imagem pessoal, comunicação e o conhecimento profissional e, segundo ela, precisa existir “sinergia” entre esses três pontos. “Tudo em uma pessoa comunica”, afirma.

A consultora de imagem Cibelle Taques ressalta a importância da sinergia entre a imagem pessoal, comunicação e o conhecimento profissional. | Arquivo pessoal.

Ela cita como exemplos desde a comunicação não-verbal, que se dá pelos gestos, comportamento, roupas, acessórios, cabelo; a comunicação verbal, que está relacionada à forma de se expressar, ao uso de gírias, termos em inglês; e o conhecimento técnico e as habilidades adquiridas ao longo da carreira – as hard e soft skills. “A imagem pessoal é o que engloba tudo isso. Está diretamente relacionada aos pilares de aparência, comunicação e comportamento. O equilíbrio desta tríade é a chave do sucesso profissional”, pontua.

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Krisellen Boaretto, que trabalha como coordenadora comercial em uma incorporadora imobiliária de alto padrão, afirma que o cuidado com a imagem é um investimento na própria carreira. Assim como está sempre buscando novos conhecimentos na sua área de atuação, ela conta que também investe em sua própria marca pessoal para agregar valor ao seu cotidiano corporativo e social. “É importante encontrar o equilíbrio, principalmente quando o assunto é o trabalho. É uma questão de respeito ao cliente, ao fornecedor, à empresa que você está prestando serviço. Mas sem exagero, porque tudo que é demais também não é bom”, analisa.

O “low profile” e o estilo “Claudia do Procon”

Claudia Silvano, do Procon-PR, não se limita aos padrões da moda impostos pela profissão, mas ainda percebe o estranhamento de algumas pessoas. | Arquivo pessoal.

Quando o assunto é moda, as mulheres costumam ser alvos mais fáceis de crítica e de monitoramento, inclusive dentro das empresas. Celebridades da tecnologia como Mark Zuckerberg, do Facebook, e o falecido Steve Jobs, da Apple, ficaram populares não apenas por suas contribuições inovadoras, mas também pela forma de se vestir, ao adotar o estilo low profile.

Em outras palavras, quem adota esse visual costuma compor os looks com um vestuário que é discreto, com peças básicas, cores neutras. Uma abordagem mais minimalista e despretensiosa em relação à moda, explica a consultora de imagem Cibelle Taques. Por outro lado, ela ressalta que esse dress code, na maioria dos casos,não é apenas uma opção, mas também uma estratégia de marketing pessoal.

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Mas se as grandes empresas de tecnologia brindaram o mundo com a discrição e a casualidade no modo de vestir, Claudia Silvano – mais conhecida como “Claudia do Procon” – mostrou o oposto: que é possível associar competência com um estilo próprio, tons alegres e peças autorais – boa parte das roupas que Claudia usa são confeccionadas por ela.

Servidora pública estadual há quase quatro décadas, Claudia é diretora do Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor do Paraná (Procon-PR) desde 2011. Mesmo com um extenso currículo que inclui, além da carreira como servidora, graduações em Direito e Pedagogia, aulas em cursos de nível superior, Claudia ganhou ainda mais popularidade ao adotar roupas despojadas, confortáveis e coloridas até mesmo na hora de dar entrevistas. “Hoje eu sou maior do que a minha roupa”, afirma a diretora, que ficou conhecida pelos “looks de pijama”.

Acostumada a lidar com a opinião pública, Claudia diz que ainda hoje percebe olhares preconceituosos em alguns locais, principalmente quando está fora de Curitiba, onde não é tão conhecida.

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E Claudia, que vem da área do Direito, sabe bem onde está pisando. Como professora de futuros advogados, tem noção do peso da indumentária para a profissão. “É uma carreira em que a roupa é uma forma de linguagem”, observa, referindo-se ao padrão terno e gravata para os homens, tailleur e salto alto para as mulheres. “Eu fujo muito dessa regra e isso causa estranhamento. Mas é algo que também não me incomoda”, garante.